Renato já não sabia mais o que significava para o seu macho. Mesmo depois de tanto tempo passado desde o flagrante com Claudiney, parece que tinha se convertido mesmo somente em um empregado e depósito de porra. Nunca mais os beijos apaixonados, os carinhos ardentes, o olhar de desejo do seu homem. Trabalhava feito um condenado, cumprindo jornada dupla no escritório e em casa, dormia sem conforto no quartinho de cama pequena em relação ao seu tamanho e quando levava as pistoladas do garanhão eram trepadas a bem dizer, burocráticas. Embora fosse um homem cuja marca era o otimismo, vinha perdendo as esperanças de uma reconciliação. Sempre divagando, ficava se perguntando: E se não houvesse reconciliação? Aquela seria a sua vida para sempre? Onde e como visualizar perspectivas de mudanças?
Ainda bem que os pensamentos não lhe ocupavam as mãos. Corria de um lado para o outro na cozinha, enquanto ouvia o barulho do chuveiro ligado. Já tinha deixado a roupa separada e a mala pronta em cima da cama. Clayton tinha comunicado que ia viajar esta noite. Pela primeira vez em tanto tempo o empresário teria de volta as chaves da casa, já que precisaria se locomover para a empresa. Absorto em suas divagações e na preparação do lanche que o boy mandou fazer, ouviu a campainha tocar duas vezes. Só então se deu conta que poderia abrir. Parece que tinha até se desacostumado. Apreensivo, girou a chave na fechadura e puxou lentamente a porta, com algum receio. O espanto fez com que recuasse dois passos para trás. Diante dele, também espantado e constrangido, André, o advogado professor ensaiou um sorriso enquanto gaguejava:
- Desculpa Renato... Eu não sabia que ia te encontrar aqui... O Clayton mandou que eu viesse buscá-lo para levar para o aeroporto...
O loirão estava sem fala. Quer dizer então que os dois continuavam a manter uma relação?
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